16 de março de 2021, 10 min de leitura, por Vinicius Bastos
Roteador Mesh: como escolher o melhor para a sua casa
Roteador Mesh: entenda o que é a rede Mesh, como escolher o melhor sistema para a sua casa e os cuidados de instalação para ter Wi-Fi forte em todo canto.

Ter uma boa rede Wi-Fi é cada vez mais importante. Com o trabalho remoto, as aulas online, os jogos, o streaming de filmes e músicas e os serviços na nuvem, as residências precisam de soluções tão boas quanto as das empresas. Neste artigo, você vai entender as boas práticas e como escolher o seu roteador Mesh.
Quando vamos expandir a rede local, o ideal é ligar por cabo os access points (APs), que são os equipamentos que emitem o sinal Wi-Fi, até o roteador. Porém, isso só é possível quando o projeto da rede é feito na construção ou na reforma. Depois que a casa está pronta, fica complicado passar cabos.
Até um tempo atrás, a solução era usar repetidores de sinal Wi-Fi. Eles recebem o sinal do AP mais próximo e o retransmitem para os dispositivos se conectarem. Esse tipo de repetidor tem um problema grave de performance: ele reduz em até 50% a taxa de transmissão da rede a cada repetição.
O que é a tecnologia Mesh?
A rede Mesh (ou rede em malha) é um sistema de Wi-Fi com vários APs que conversam entre si via rádio e formam uma rede só, com o mesmo nome e a mesma senha, para levar o sinal a toda a casa. Como os APs têm duas ou mais bandas de rádio, a perda de desempenho é menor que a dos repetidores comuns.
Em um sistema Mesh, cada AP se conecta via rádio ao roteador central. Nos modelos de alta performance, chamados de Tri Band, uma banda de 5 GHz é dedicada ao link entre os APs (o backhaul). E, se a casa tiver cabo de rede entre os pontos, aproveite: muitos sistemas Mesh, como o TP-Link Deco, aceitam ligar os APs por cabo (o backhaul cabeado), o que deixa o rádio livre para os dispositivos.
Antes de avaliar os principais roteadores com a tecnologia Mesh do mercado brasileiro, você precisa saber que, para ter uma boa experiência com o Wi-Fi, é preciso unir uma boa infraestrutura de rede local a um bom link externo, fornecido pela operadora.
Se uma das duas partes falhar, a conexão com a internet não vai funcionar. Digo isso porque é comum os usuários ignorarem a qualidade do hardware da rede local e colocarem a responsabilidade apenas no link da operadora, acreditando que os roteadores são todos iguais.
Assim como acontece quando você compra um computador, que tem muitas características, o roteador, o access point e o switch também precisam ser escolhidos em função da aplicação a que serão submetidos.
E, falando da operadora, entenda que o equipamento oferecido por ela é, na verdade, um "combo": o modem, que faz o link com a rede da operadora; o roteador, que gerencia a rede; e o access point, que cria a rede Wi-Fi.
Se você quer usar dispositivos de automação ou precisa de uma rede estável para trabalhar e estudar, e também deseja levar o sinal para toda a casa, deve desativar as funções de roteador e de access point do equipamento da operadora e usá-lo apenas como modem, no modo ponte (bridge).
Peça ao instalador da operadora que configure o equipamento dessa forma, para que você tire proveito do seu roteador e dos seus APs Mesh.
Se não for possível configurar o equipamento da operadora no modo bridge, a solução é deixar o sistema Mesh em modo bridge, usando o equipamento da operadora como roteador. Essa solução não é a ideal, já que o roteador que você vai comprar geralmente tem funcionalidades superiores, além de mais estabilidade, memória e processamento.
Cuidado: não deixe os dois equipamentos com a função de roteamento ativada. Isso cria uma rede NAT sobre NAT (o chamado duplo NAT), ou seja, duas redes locais, uma embaixo da outra, que não é a forma correta de configurar a rede local.
Logo, em ambos os casos, desative o Wi-Fi do equipamento da operadora e escolha quem será o roteador: o seu equipamento ou o da operadora. Opte pelo seu sempre que puder.
Com isso esclarecido, vamos ao comparativo!
Comparativo de roteadores
As três marcas mais populares no Brasil são a D-Link, a TP-Link e a Intelbras. É claro que temos outras marcas, como a linha UniFi da Ubiquiti, mas, como são produtos superiores em hardware e software, optei por deixá-la de fora deste comparativo.
Escolhi três produtos plug and play: com apenas alguns toques no aplicativo, você coloca a rede para funcionar. Os três modelos deste comparativo são muito bons, e os alunos do meu curso de automação os usam nos seus projetos.
O comparativo foi feito em março de 2021, com modelos Wi-Fi 5 (padrão AC), dados dos sites dos fabricantes e os preços daquela época. Mais abaixo, veja o que mudou desde então.
A principal diferença entre eles é que o kit da Intelbras vem com dois dispositivos. Isso reduz o alcance, mas torna o preço do kit mais competitivo. Se você optar pelo kit da Intelbras, vale a pena comprar mais um dispositivo, para ter um total de três, que é o ideal para a maioria das residências acima de 100 m².
D-Link Covr 1103: área de cobertura de 464 m² (informada pelo fabricante); 3 APs; 2 portas Gigabit em cada AP (WAN e LAN); rádios Dual Band AC1200; MU-MIMO; até 100 dispositivos; 2 antenas; taxa de transmissão de 300 Mbps em 2,4 GHz e 867 Mbps em 5 GHz; consumo de 8,55 W; modo bridge; segurança WPA2 e WPA3; band steering automático; firewall; expansível; preço do kit em 2021: R$ 1.499,00.
TP-Link Deco M5: área de cobertura de 510 m² (informada pelo fabricante); 3 APs; 2 portas Gigabit em cada AP; rádios Dual Band AC1300; MU-MIMO; até 100 dispositivos; 4 antenas; taxa de transmissão de 400 Mbps em 2,4 GHz e 867 Mbps em 5 GHz; consumo de 12 W; modo bridge; segurança WPA2; band steering automático; firewall; expansível; preço do kit em 2021: R$ 1.599,90.
Intelbras Twibi Giga+: área de cobertura de 360 m² (informada pelo fabricante); 2 APs; 2 portas Gigabit em cada AP; rádios Dual Band AC1200; MU-MIMO; até 60 dispositivos; 2 antenas; taxa de transmissão de 300 Mbps em 2,4 GHz e 867 Mbps em 5 GHz; consumo de 12 W; modo bridge; segurança WPA2; band steering automático; firewall; expansível; preço do kit em 2021: R$ 819,90.
Alguns cuidados com a rede
Muito cuidado com a área de cobertura informada pelo fabricante! A propagação das ondas de rádio sofre muita interferência e, em quase 100% dos casos, o alcance não chega à metade desse valor.
Cuidado também com o número de dispositivos conectados. Na vida real, notei que quase sempre não conseguimos usar a quantidade informada pelos fabricantes. Eu gosto de trabalhar com, no máximo, 60% do valor informado.
Outro ponto importante é a taxa de transmissão em 5 GHz. Se você tem um link de 300 Mbps da operadora, como o meu, certamente vai usar a banda de 5 GHz para conectar a Apple TV, a smart TV, o celular, o notebook e outros equipamentos.
A banda de 2,4 GHz é usada por dispositivos de automação residencial e outros equipamentos que não exigem muita largura de banda e usam chips mais simples.
Atenção a esse ponto na hora de configurar: a maioria dos dispositivos de automação só funciona em 2,4 GHz, e sistemas Mesh como o Deco usam um nome de rede só para as duas bandas. Se o aplicativo do dispositivo não conseguir parear, veja se o seu sistema permite criar uma rede só de 2,4 GHz para esses aparelhos. No Deco, a TP-Link recomenda criar uma IoT Network. Veja também como resolver problemas de conexão do Sonoff e Tuya.
Com isso dito, as três marcas atendem a uma rede de alto desempenho, porque têm porta Gigabit (1.000 Mbps) para a conexão cabeada com o modem da operadora.
O lado oculto dos APs Mesh
O que esse comparativo não mostra é como cada sistema decide a troca de AP (o roaming). Em equipamentos mais sofisticados, como os UniFi da Ubiquiti, isso é configurável: dá para definir um sinal mínimo (o "Minimum RSSI") e derrubar os dispositivos que estão distantes do AP, que reduzem a taxa de transmissão de todos os outros dispositivos conectados nele.
Isso acontece quando você anda pela casa e, em algum momento, o celular, por exemplo, deveria se desconectar de um AP e se conectar a outro. Em equipamentos mais sofisticados, a intensidade de sinal em dBm para essa troca é ajustável. Nos três equipamentos deste comparativo, o valor não é editável, e você deve testar a performance na prática, nos valores padrão de cada fabricante.
O band steering, que aparece no comparativo, é outra coisa: ele direciona os aparelhos que funcionam nas duas bandas para a de 5 GHz, deixando a de 2,4 GHz mais livre.
Quem é o vencedor?
O meu escolhido é o TP-Link Deco M5. Eu o escolhi para ensinar no curso e também para usar na minha casa no litoral pelo número maior de antenas, pelo aplicativo com configuração remota e pelo design, que é discreto e menor do que o dos concorrentes.
Mas os equipamentos são similares, e certamente com qualquer um dos três modelos você ficará bem atendido.
O importante é respeitar as boas práticas que você aprendeu neste post e também posicionar os APs em locais centralizados, onde está o maior número de dispositivos, não instalá-los na posição vertical, para evitar o direcionamento do sinal, e testar a intensidade do sinal entre os APs Mesh depois de instalá-los, para garantir que a rede está equilibrada. Se o sinal entre dois APs estiver muito fraco, você terá que aproximá-los ou mudá-los de lugar.
O que mudou desde 2021: Wi-Fi 6, 6E e 7
Os três modelos do comparativo são Wi-Fi 5. Hoje, há sistemas Mesh com Wi-Fi 6 (padrão AX), Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7. Os dois últimos acrescentam a faixa de 6 GHz, e a Wi-Fi Alliance começou a certificar o Wi-Fi 7 em janeiro de 2024, com canais de até 320 MHz e o Multi-Link Operation, que transmite e recebe dados por mais de um link ao mesmo tempo.
No Brasil, a Anatel liberou toda a faixa de 6 GHz para o Wi-Fi em 2021, mas, em dezembro de 2024, decidiu dividi-la e destinar a maior parte à telefonia móvel. O Wi-Fi 6E e o Wi-Fi 7 continuam funcionando, com menos espaço nessa faixa.
Para quem vai comprar hoje, vale partir de um sistema Mesh com Wi-Fi 6 ou superior. As boas práticas deste artigo continuam valendo: modem da operadora em bridge, um roteador só, APs bem posicionados e, sempre que possível, backhaul cabeado. Para conhecer um exemplo com Wi-Fi 6, veja o vídeo sobre o roteador Mesh com Wi-Fi 6.
Qual o melhor roteador Mesh?
Não existe um modelo melhor para todas as casas: o melhor roteador Mesh é o que cobre a sua com folga, com APs suficientes para a planta e as paredes dela. Para comparar os modelos de hoje, use este roteiro:
Padrão: Wi-Fi 6 ou superior, com a segurança WPA3, que a Wi-Fi Alliance exige nos aparelhos certificados.
Cobertura: conte os APs pela planta, e não pela área informada pelo fabricante, que, como vimos, quase nunca se confirma.
Ligação entre os APs: backhaul cabeado, se houver cabo entre os pontos; sem cabo, um modelo Tri Band, com uma banda de 5 GHz só para os APs.
Portas: Gigabit, no mínimo. Se o seu plano de internet passa de 1 Gbps, procure portas de 2,5 Gbps.
Automação: a opção de criar uma rede só de 2,4 GHz para os dispositivos de automação.
Aplicativo: configuração simples, acesso remoto e atualização de firmware.
Se algum dispositivo de automação mais antigo não conectar a uma rede WPA3, use o modo de transição WPA2/WPA3, que aceita os dois tipos de aparelho na mesma rede, com a mesma senha.
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