A opinião dos especialistas sobre o mercado de Automação Residencial

Apesar das tecnologias de ponta fazerem cada vez mais parte do nosso cotidiano, a adoção de um sistema de automação residencial é incomum entre os brasileiros. Para os especialistas, a causa é clara: a falta de conhecimento do público geral sobre as inovações do setor.

“O grande ponto que impede as pessoas de terem uma casa inteligente hoje é a falta de conhecimento, muito mais do que qualquer outra coisa. Se as pessoas soubessem como é agradável ter uma casa automatizada, com certeza haveria muito mais interesse”, afirma Vinicius Bastos, CEO do projeto Quero Automação.

A partir do site, ele atua justamente nessa questão de publicar conteúdos informativos, além do foco principal em ajudar o público a se conectar com profissionais especializados que podem dar a assistência necessária.

“O pessoal precisa saber que dá para colocar um sistema de trancas inteligentes e automatizar o acesso”, exemplifica Vinicius. “O que falta para isso estourar no mercado é as pessoas perceberem que está acessível. Em vez de comprar a fechadura de chave tradicional, você pode comprar uma fechadura inteligente e evitar a perda das chaves”.

A mesma necessidade de conscientização é vista por Vanderlei Rigatieri, CEO da empresa WDC Networks. Ele acredita que o acesso à informação é o caminho para aumentar a demanda. “O brasileiro em geral ainda não conhece bem o que é automação residencial, pois, até agora, esse mercado era restrito às classes altas, com sistemas muito sofisticados e caros. À medida que as pessoas ficarem mais informadas sobre o que é possível ser feito, quais as vantagens e como ficou muito mais simples e barato automatizar uma residência, esse mercado explode”.

Com a WDC Networks, Rigatieri desenvolve um projeto chamado Casa Conectada, que deve servir como base para o que existe no setor. “Nossa ideia é que o consumidor tenha um ponto de referência para sistema de automação residencial, com lojas físicas e pontos de experimentação. São locais em que ele pode ver tudo que é possível instalar, como funciona, como contratar a instalação e como ter garantia, suporte técnico e continuidade”.

Segundo ele, o consumidor atualmente tende a automatizar os ambientes principalmente na hora de montar uma casa nova, recebendo o conhecimento basicamente pelos profissionais que atuam nessa tarefa. “Por enquanto, o consumidor é influenciado principalmente pelos arquitetos, que estão preocupados com conforto e beleza, mas existe uma onda muito grande dos gigantes de tecnologia, tais como Google, Amazon, Samsung e Apple, que estão trazendo uma nova realidade, os assistentes de voz”.

Assistentes de voz começam a se integrar ao sistema de automação residencial

As empresas de tecnologia têm investido cada vez mais no desenvolvimento de assistentes de voz. O impacto dessa tecnologia está alcançando diversos setores e deve evoluir bastante o sistema de automação residencial.

“Os assistentes de voz se ligam aos controladores de automação e possibilitam ao consumidor realizar uma série de ações. Ele pode abrir uma cortina, ligar o ar condicionado, travar as portas, desligar tudo antes de sair de casa, ou dar o comando ‘cheguei’, que liga o que você quiser”, explica Rigatieri.

No exterior, o fenômeno está em expansão e o Brasil deve seguir a mesma direção. No momento, porém, é preciso esperar que a tecnologia seja aprimorada para atuar em português. Por aqui, ainda há um obstáculo nesse cenário, como contextualiza Bastos. “No Brasil, a nossa única alternativa é o Google Home, que já fala português, mas ainda tem muita limitação. Como todo sistema, ele é feito primeiro na Europa e nos Estados Unidos para depois sair no resto do mundo. O melhor assistente hoje é a Lexa da Amazon na versão em inglês, porque tem a melhor conversação”.

O mesmo contexto é visto por Higor Fernandes, CTO da empresa NeoControl, que desenvolve produtos para o setor. “No Brasil, temos os assistentes virtuais que chegam em outros idiomas e depois são desenvolvidos para o português. Cada vez menos tem distância entre as soluções do exterior e daqui, mas, mesmo com esse menor distanciamento de tecnologias, o mercado brasileiro ainda é fraco porque as coisas demoram a chegar aqui por uma questão de mercado”.

Automação residencial tem conforto, segurança e economia como pilares de busca

Enquanto os assistentes de voz ainda são aprimorados, o cenário atual do sistema de automação residencial encontra três principais fatores para disponibilizar serviços aos consumidores.

“Existe um tripé de recursos que a automação residencial pode disponibilizar ao usuário, que são comodidade e conforto, segurança e economia de energia com apelo de sustentabilidade. Na questão do conforto, por exemplo, a iluminação pode realçar informações, como a decoração de móveis. A segurança age na prevenção de problemas, podendo avisar uma presença estranha remotamente ou até detectar vazamento de gás e água. Com a sustentabilidade, é possível fazer agendamento de ações, como desligar as luzes automaticamente após determinado horário”, conta Fernandes.

Ele enxerga a segurança como um dos principais pontos de destaque na busca pelos serviços. “A automação transforma a residência em uma ‘casa viva’, porque pode simular a presença de moradores para afastar ladrões, ligando luzes, sons e televisão. O que está em evidência é o conceito de colocar IoT em tudo e acessar pela internet, promovendo uma verdadeira interação com o ambiente mesmo à distância”.

Já Vinicius aponta que as pessoas buscam mais a questão do conforto e da iluminação. “A solução mais procurada é o controle de iluminação, poder criar diferentes cenários no ambiente. Em segundo lugar, vem o som ambiente. As pessoas gostam de colocar extensores pela casa toda e controlar por celular e ferramentas como Spotify e Apple Music. Alguns investem um pouco mais, mas a maioria quer colocar caixas de som de embutir, bem calibradas, para poder assistir às series favoritas com qualidade”, ele ressalta.

Bastos explica que há quatro fatores que estão ajudando a aumentar a procura pelo sistema de automação residencial. São eles o reaquecimento do setor imobiliário, a ascensão da Netflix, o barateamento dos sistemas e a disponibilização do assistente do Google em português. “Quando as pessoas compram mais apartamentos, esse é o principal momento de investir e ponto-chave para entrar em contato com a automação. Com a Netflix, elas são mais instigadas a optar por sistemas de som e controles remotos inteligentes. Como esses produtos já estão mais acessíveis, as pessoas têm mais interesse”.

Sobre o Google, o CEO do Quero Automação complementa: “Agora com o Google em português, é uma questão de tempo para as TVs serem vendidas com assistente virtual integrado. As pessoas vão começar a usar cada vez mais os assistentes de voz, buscando dispositivos inteligentes também para controlar ar condicionado e iluminação”.

Fonte: http://www.techolics.com.br

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